Venezuela: em perigo <br> por ser um perigo
«A Venezuela é uma ameaça extraordinária para a segurança dos Estados Unidos», Obama dixit.
Este Barack Hussein Obama II, mais conhecido como Barack Obama, ou tão-só como Obama – por alguma razão desapareceu o «suspeito» Hussein do nome, assim como o jeito dinástico de II –, é o mesmo que pouco antes havia admitido com uma franqueza cínica que «...temos o exército mais forte do mundo e às vezes temos de torcer o braço a países se não quiserem fazer o que queremos que façam através de métodos económicos e às vezes militares». É igualmente o que em 2009 «ganhou» o Nobel da Paz, galardão plenamente justificado com as suas agressões imperiais contra Afeganistão, Iraque, Líbia e Síria, com uma estatística que supera «generosamente» o milhão de assassinados, um número ainda maior de feridos e a bagatela de algo como 10 ou 12 biliões de dólares em gastos militares (o complexo militar-industrial esfrega as mãos com os ganhos imorais dessas guerras). Quem lhe pôs nas mãos assassinas esse reconhecimento foi Thorbjoern Jagland, ex-primeiro ministro norueguês. Posteriormente, como uma coerência invejável, Jagland desprestigiaria (ainda mais) esse Nobel entregando-o ao dissidente chinês Liu Xiaobo e à União Europeia, invariavelmente sempre na cauda dos crimes de Washington. Jagland fez um trabalhinho tão miserável que acaba de ser destituído dessa responsabilidade na Academia Sueca, coisa que nunca tinha sucedido até à data...
Mas deixemos de lado estas imoralidades políticas e concentremo-nos na Venezuela e no perigo que o país de Bolívar e Chávez (a ameaça suprema) representa para Estados Unidos. Admitamos desde já que o dito por Obama – que quase não teve eco nos media do seu país – é uma verdade do tamanho do Parque Yosemite, ou talvez ainda de maior dimensão, porque atenta flagrantemente contra todas as bases do sistema capitalista mundial.
Para poupar ao leitor a leitura de todas as motivações pelas quais a Venezuela é, confirme-se outra vez, uma «ameaça extraordinária» para o já dito e muito mais que aqui não cabe tratar agora, cinjamo-nos somente a algumas das perigosíssimas missões inventadas por Chávez e continuadas por um tal Maduro, seu legítimo sucessor.
Atente-se só no preâmbulo geral das mesmas: «... as missões devem ser um instrumento para acelerar a transformação do Estado burguês no Estado social de direito e justiça». Mais claro não canta um galo.
Missão Barrio Adentro/Bairro Adentro (criada em Abril 2003). Levou os cuidados médicos a zonas que nunca tinham visto uma bata branca. Um verdadeiro ataque ao Estado burguês com o apoio de uma «invasão» de cubanos. Hoje são mais de 10 mil os consultórios médicos que se iniciaram com o apoio de 18 mil galenos cubanos de diferentes especialidades e enfermeiros. Esta «invasão» foi apoiada por 10 mil profissionais venezuelanos das mesmas áreas. Como resultado deste programa a diferentes níveis (vai no IV) e dos Centros de Diagnóstico Integral (34 deles de alta tecnologia) já foram contabilizadas (cifras de 2012) 60 milhões de consultas médicas e salvas 1 750 000 vidas. Claro, na sua maioria gente pobre e historicamente excluída da assistência médica.
Missão Robinson (2003). Infinitamente mais perigosa do que a anterior. Aplicando o método cubano (cá estão eles outra vez!) «Eu sim posso..», aprenderam a ler quase um milhão e oitocentas mil pessoas (incluindo os indígenas porque o método foi traduzido para vários idiomas dos povos originários e também contou com uma versão em Braile!). Perto de um milhão terminou a educação primária. Em 2005, a UNESCO declarou o país livre de analfabetismo. Isto estimulou a Venezuela a «exportar» o método à Bolívia (2006) e à Nicarágua (2007). Resultado: ambos os países foram declarados livres de analfabetismo.
Missão Sucre (2003). Nos últimos anos foram criadas cinco novas universidades e a população no ensino superior saltou de 560 mil alunos (anos 90) para mais de dois milhões e 600 mil (2014). Só este ano, 461 mil estudantes registaram-se no Sistema Nacional de Ingresso Universitário. Devemos reconhecer que a oposição fascista faz o possível por minimizar esta «ameaça». Durante os distúrbios mais recentes (Fev/Jun, 2014) queimaram totalmente uma universidade no Estado fronteiriço de Táchira, zona onde abundam os paramilitares criados pelo colombiano Uribe.
Acabou-se-nos o espaço de hoje. Mas faltou dizer que estas missões não tem qualquer custo para os utentes. Que atrevimento!